sábado, 31 de outubro de 2009

Uma paixão e duas pedras de gelo

Chega de poema, chega de rimas. Hoje tô com vontade de falar sem me preocupar com o português, com as novas regras gramaticais, com a coerência e clareza das ideias. Vou ir escrevendo e vendo como que fica. Eu tava aqui pensando...pra gente conseguir ter sempre uma cor a mais para oferecer para a tela que é a nossa vida precisamos de paixão. Eu sei que muita gente já falou isso, e muita gente sabe, assim como sabe que tem que usar camisinha. Mas a gente esquece, às vezes, eu acho. A vida vai ficando na rotina, sempre a mesma coisa...o banho começa pelo rosto, dormir sempre às 23h, academia depois do trabalho, segurar a fome na hora de dormir...
Aí a gente esquece mesmo de inventar uma paixão pra gente se empolgar, permanecer em encantamento, aquela luz nos olhos, aquele sorriso fácil. Aí eu fiquei me perguntando qual seria a paixão que me move e eu me recordei que até o início da idade adulta meu combustível era paixão. Pode parecer bobagem, coisinha, mas eu não acho: eu tinha paixão pelos meus cabelos longos e aquela paixão pelo que era meu me alimentava. Eu os tratava como bebês recém-nascidos e era fascinate vê-los crescendo saudáveis e arrebatadores. Isso é um exemplo. Eu me apaixonei pela ioga certa época, pelo jornalismo na facu, pela gandaia por um bom tempo...Eu tinha várias outras paixões, algumas vão ficar só entre mim e minha analista. Mas hoje eu tento levar as coisas da maneira mais certa possível que até parece que se apaixonar por algo é um abuso. E eu me dei conta hoje!
Mas é claro que essa paixão tem que ser algo altruísta, algo bom, do bem. Quem sabe defender o planeta com unhas e dentes? Quem sabe clarear os dentes? E um esporte, hum? Duas horas da semana pra brincar com as crianças do hospital do câncer? Sei lá...cada um com seu cada qual. Eu sei que a partir de hoje eu me propus a voltar a me apaixonar. Já tenho até algumas coisas em mente. Uma eu vou contar: assim que terminar meu livro, vou entrar na aula de pintura, vou pintar...
E assim, quem sabe, reconquistarei aquele frio na barriga espontâneo que me dava "sem porque, nem pra quê".

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Todos os poemas de amor

Eu vou recitar
Todos os poemas de amor
Esperando você voltar

Em cada frase
Em cada verso
Eu vou esperar

E em toda prosa
Terei a certeza
Do dia que você vai voltar

E se você não aparecer
Se nunca mais eu te ver
E todos os poemas acabarem

Eu mesma
Escreverei até sangrar
Até toda tinta do mundo acabar

E vou eternizar
Os beijos...os carinhos
Nos poemas de amor que ainda vou rabiscar

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Viagem espacial

Viajei pra lua
Fui conferir se lá estavam
Os amigos que perdi
Os momentos que não vão voltar
Os sonhos dos quais eu desisti
As piadas que não lembro mais
Meus vestidos preferidos
As festas que duravam três dias
A energia que hoje não mais possuo
Os passeios de bicicleta
Os nãos que recebia dos meus pais
A carruagem que sei, um dia foi minha
Meus cabelos compridos à cintura
Minhas irmãs brincando de pique-esconde
Minha família unida
Minha coragem nada ponderada
As loucuras que não mais cometo
As fotos que se perderam nas mudanças
Minha mãe de leite
A casa cheia
A briga pelo último danoninho
Minha cama de madeira massissa
Meu primeiro relógio
O tempo que não aproveitei
As flores que não mais recebo
Os presentes do dia das crianças
Meu coração de menina
Minha irracionalidade
Os livros que perdi pelo caminho
As visitas que não fiz
Os amores que não amei
A religião que nunca achei
Minha monografia que perdi
A agenda com todos os telefones
O ócio tranquilo e despreocupado
As perguntas que não tinha respostas
Meu pai sem colesterol alto
Minhas pequenas complexidades
Os cigarros que escondia
A árvore que plantei
O livro que ainda não escrevi
A ingenuidade da falta de culpa
O medo do beliscão da minha mãe
A mesa farta e cheia de todos
Os domingos na casa da minha avó
O time de vôlley
A facilidade de perder peso
A dificuldade de compreender meu corpo
As paixões que duravam três dias
O cachorro-quente no lanche da tarde
O café-da-manhã do meu pai
A maionese de batata frita
A mesada despretenciosa
As noites na casa das amigas
A mãe de algumas amigas que já se foram
O hambúrguer depois da missa
Os cursos de inglês que eu nunca terminei
As calouradas que eu não fui
Meu pai me acordando com um abraço
Os domingos no clube da Cenibra
As festas na casa da tia Ita
A bebida escondida
As equações de matemática
A internet como novidade
O sono tranquilo
Tudo isso não achei por lá
Mas a lua me disse serena: aguarde a próxima viagem

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O mundo que eu criei pra mim

Guardo meus retratos
E minhas lembranças
No mundo que eu criei pra mim

Acendo a luz
Para apagar a noite
E, assim, enxergo melhor

A vida é muito curta pra aprender alemão
E muito pequena
Pra desaprender os defeitos meus

Às vezes, o sol não nasce para mim
Então, posso me esconder
No muundo que eu criei pra mim

Ligo o som baixinho
Para só eu mesma
E repito juntinho....lá...lá...lá...lá...lá...lá

Os meus livros
Meu Vinicius
Minhas armas de purificação

Protejo meus inimigos
E como frutas que só existem
No mundo que eu criei pra mim

Guerreira
Filha de São Jorge com Oxum
Pecados eu escondo no banheiro

Desenho no ar
A casa onde vou morar
E, assim, diluo minhas mágoas

Espero meus amigos na porta
Pois só eles conseguem adentrar
O mundo que eu criei pra mim

Tenho árvores como amigas
E elas sempre perguntam onde estão suas irmãs
Estão no mundo que eu criei pra mim

Contemplo o horizonte
E procuro onde nascem os arco-íris
Um dia vou achar

Os meus enganos perfeitos
Acerto comigo mesma
Mas a vida é, também, a arte do engano

Imagino quadros
Para pendurar nas paredes
Do mundo que eu mesma criei pra mim

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Buracos

Buracos na minha existência
Insistem em me falar de coisas que contém
Uma descrição perfeita

Na alma uma interrogação
Na mente respostas sem razão
E o sabiá canta todas as manhãs

Será que eles quiestonam sua prisão?
Um pequeno espaço de sentimentos quadrados
E alguns buracos

À beira, satisfação
Sentada com sapatos de Alice
É entrar, ou não

Visitas inadequadas
Janelas fechadas
Tapetes, cortinas, tudo em vão

Prossigo na contra-mão
Sinais me informam a direção
Na porta da toca, um buraco

Verdades questionáveis
Aromatizantes
Conservantes dão câncer?

Buracos na meia-mão
Um lado sobreposto em questão
Uma vida e um casamento

Uma esquina
Um padrão
Buracos jogam dados de frustação

Um poder fictício
Um haver, um ofício
um sabiá sem questão

Um copo de meia bebida
um orgasmo interrompido
Um buraco em exatidão

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Na lua

Hoje, dizem que faz quarenta anos que o homem foi à lua...
Engraçado....
Eu tenho andado por lá incontáveis vezes
Mesmo antes disso....

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Rabiscos

Trago meus rabiscos em meus pensamentos. Emolduro quadros de textos que ainda não escrevi. Procuro na desordem das minhas perguntas, respostas ordenadas...mas nãs as encontro.
Voo alto, na altura das galáxias tentando encontrar os deuses que me inspiram. Também rastejo no chão, mas meu chão é de estrelas.
E rabisco em cores o ser que queria ser. Errante, pra ser humana. Coerente, pra ser do mundo. Calma, pra me reconhecer. Brava, para atacar e me defender. Simples, pra compreender. Próspera, para obter.
Rabisco meus erros em papel reciclável, meus acertos em folhas de rascunho, minhas conquistas nos diários que um dia vou escrever, meus fracassos nos murais do meu pensamento.
Tenho dores em areia movediça, alegrias em chão de grama. Refresco-me em águas de cachoeira e traço meus traços juntando destroçosque eu mesma reergui.
Minhas viagens, eu rabisquei em lindas praias e pirâmides.
Minhas imagens, minhas paisagens, minha vadiagem, rabisco na dança do nada de onde retiro o leite sagrado que faz de mim a força de tudo preencher.