Pensações

Pensações

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Minha experiência com o DETOX (o verdadeiro detox)



Para que serve o processo de detoxificar o organismo, como fazer um detox e os mitos acerca da palavra que virou suco, comida e até estilo de vida.

Muito, pára muito além dos sucos verdes tão difundidos atualmente, o processo de detoxificar o organismo é um conjunto de atitudes diárias que ajudarão seu fígado a eliminar as toxinas presentes em quase tudo a que estamos expostos no dia-a-dia. Naturalmente, e principalmente durante o sono, nosso corpo monta uma força tarefa para filtrar e, posteriormente, eliminar, todas as substâncias – hoje já nomeadas pela OMS como ´disruptores endócrinos´ - que não nos serão úteis e, mais ainda, que nos farão mal. Nosso fígado é o protagonista desse movimento e, por séculos e séculos, executou muito bem sua função. Mas nos dias atuais, nossos hábitos (dos quais falaremos mais à frente), promovem um verdadeiro desgaste a esse órgão, que precisa trabalhar muito mais para dar conta dessa “faxina”. O verdadeiro detox entra como um grato coadjuvante nesse processo, dando uma força (e que força!) em toda estrutura de limpeza do organismo.

O meu detox
Com acompanhamento de uma nutricionista, recebi a recomendação de realizar dois ou três dias de detox para engrenarmos uma dieta com objetivo de queimar gordura e aumentar massa magra (músculos). Quando li o protocolo bateu aquela insegurança: será que conseguiria? Parecia-me uma quantidade pequena demais de comida e isso não me soou bem. Mas decidi enfrentar o petit menu (que vou passar aqui para vocês). Com força de vontade e disposição, me organizei comprando os ingredientes dos sucos e das sopas funcionais que me alimentariam nos próximos três dias e, adivinhem: uma balança! Mas, não, caro leitor, a balança não era para me pesar, e sim para pesar os alimentos. Deu pra sentir o drama?

Passado o surto, prontifiquei-me a realizar o detox no final de semana para que nenhum compromisso semanal pudesse ser comprometido. Acordei sábado bem cedo e preparei o primeiro suco.
Na batida pesa inhame daqui, lava couve de lá, diminui a pitada do sal por favor, passei o dia muito bem, obrigada! No final do dia estava mais relaxada. Não havia passado fome e seguira à risca todas as recomendações da nutri. Mas, no domingo já foi diferente. Acordei com uma certa fraqueza. Não caminhei com tanto ânimo para a cozinha.

Uma respirada funda para acalmar a alma (ou o estômago) e me mantive firme no propósito. E desce o suco!

Mas não teve jeito. Nada que acontecesse me alegrava. Engatei uma maratona de filmes para ver se sublimava a vontade de comer, o que também não foi lá grandes coisas e terminei aquele domingo no maior mal humor do mundo, triste e certa de que tinha chegado em meu limite. Não seguiria no terceiro dia.


O mito do Detox
Como disse lá em cima, detoxificar o organismo não é a mera ingestão de sucos verdes e funcionais. Eles ajudam muito no processo, pois são ricos em vitaminas, minerais e nutrientes que vão dar aquela força ao fígado, mas fazer uma dieta detox e acumular hábitos que diminuam a absorção dos chamados disruptores endócrinos é bem mais complexo.
Nos meus estudos entedi que existe o detox pontual, que dura no mínimo dois dias, e os hábitos diários que o farão diminuir a ingestão e contato com as substâncias que intoxicam nosso organismo. Portanto, os sucos e as comidinhas que levam o nome de detox ajudam no processo, mas não são o processo. Entende?

Como fazer
Em linhas gerais, qualquer pessoa que estiver gozando de boa saúde, não estiver grávida, em processo de quimioterapia ou com alguma síndrome metabólica pode fazer o que chamaremos de detox pontual – dias seguindo toda uma dieta para detoxificar – em adotar como estilo de vida hábitos como:
- Trocar o plástico dos utensílios de cozinha pelo vidro;
- Uso de cosméticos e produtos de higiene sem parabenos;
- Diminuir o uso do microondas;
- Substituir materiais de limpeza por produtos como vinagre e bicarbonato de sódio;
- Beber pelo menos dois litros e meio de água por dia;
- Não usar enlatados;
- Comer comida de verdade;
 - Manter um bom funcionamento do intestino.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Uma eleição marcada pela rejeição


Contra quem você vai votar? Inusitadamente essa era a pergunta a ser feita na contra face da
habitual “em quem você vai votar?”.

Os números explicam o porquê.

No último domingo, mais de 117 milhões de brasileiros saíram às urnas para votar após uma
disputa eleitoral digna de roteiro cinematográfico. Com direito a candidatura de um presidiário
(que não durou, mas sua sombra – ou alma – permaneceu candidata), tentativa de homicídio
de presidenciável, redes sociais num turbilhão de golpes e contra golpes, textão, xingamentos
e fake news, uma hashtag que ganhou o mundo, propagandas políticas que ensinavam
didaticamente em quem votar para não eleger esse ou aquele candidato.

 Ah! E houve
passeatas. Claro, política! Mas, nessas eleições cheias de novidades, surgiram as passeatas
contra fulano, em dissonância com a prática das bandeiradas e carreatas cheias de apoiadores.
No final das contas, construímos um cenário de menos apoio e mais rejeição, menos propostas
e mais desconstrução. Nossos olhos não estavam voltados apenas para em quem votar, mas
também para quem faria frente de vitória contra quem não queríamos, de forma alguma, no
posto máximo da nação.

E assim, com ticket de passagem direta para o segundo turno, estão, pasmem, os dois
candidatos com maior nível de rejeição pelo eleitorado, de acordo com pesquisa Ibope
(06/07/2018). Jair Bolsonaro do PSL com 46,03% e Fernando Haddad com 29,28%.
É o segundo turno da rejeição.

No primeiro turno, um em cada cinco brasileiros aptos a votar não compareceram às suas
seções. Já entre os que votaram, 8,79% foram de nulos ou brancos. E os votos registrados nas
urnas não fazem valer a máxima da democracia, cujo voto é a garantia máxima do poder de
escolha de um povo. Cujo voto elege, elenca, destaca e, não tem a serventia, de tirar do páreo
o que parece insuportável.

Em pesquisa publicada nesta tarde, o Datafolha aponta Jair Bolsonaro com 54% das intenções
de votos e Fernando Haddad Com 46%.
É uma luta entre a extrema direita capitaneada pelo candidato do PSL e o maior representante
da esquerda, o PT.

Ao que parece. nossas opções para o próximo dia 28 de outubro, dia do segundo turno das
eleições para presidente, estão entre o amor e ódio. Entre um candidato que propõe
mudanças que, de tão radicais, teríamos que procurar outro nome para o país do carnaval e
um senhor que, de tão arraigado ao passado, vendeu o corpo para uma alma das antigas.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Você não é eternamente responsável pelo que cativas

"Você é eternamente responsável pelo que cativas." - O Pequeno Príncipe

Essa máxima de Antoine Saint-Exupéry é repetida em diversas ocasiões com o intuito de expressar a importância que devemos dar às pessoas que passam pela nossa vida. Mas ela me soa um tanto escravagista. Tudo bem, o cara mandou bem em diversas citações do referido clássico, mas pra essa aí eu torço a boca.

Partilhamos em uma sociedade que nos solicita a simpatia, o bom trato com o próximo, a educação como princípio de relações (bom, pelo menos assim entendo) e, naturalmente, vamos conquistando pessoas, colegas e amigos (para resumir) em nossas trocas. 

Aí, numa terça-feira a tarde, você é apresentado a alguém que não lhe causa simpatia alguma, mas a recíproca não é verdadeira.

Então, por ter sido gentil, atraído a simpatia alheia, cativado alguém, até mesmo sem querer, você será "eternamente responsável" por essa pessoa? Como se, a partir daquele momento, você terá que prestar atenção em toda sua conversa, atender ao telefone mesmo sem querer, receber em sua casa, responder ao whatsapp e sei lá mais quantas invasões disfarçadas e, ainda, eternamente?

Senhor digníssimo Antoine Saint-Exupéry, cujo livro li várias vezes e admiro, eu não sou responsável por tudo que cativo, nem hoje, muito menos eternamente. Caso contrário, teria que chamar para o café da tarde todos os trabalhadores da obra aqui do lado.

Não sou obrigada! 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

É “legal?”


Muito me causam reflexão os símbolos utilizados nas redes sociais. Percebo que cada vez mais, os criadores e fundadores dos programas e aplicativos se esforçam para aumentar o número de imagens padronizadas que nos causam o “favorecimento” de emudecer.

Nas trocas de mensagens substituímos frases, conjugações e palavras por uma “carinha”, uma “boquinha” ou um simples “legal”. E nesse ínterim, colocamos nossas palavras na posição passível da interpretação do outro.

Há poucos anos atrás, emudecíamos, nesse campo, nas despedidas de e-mails que, de tão atenciosas que se tratavam, não tinham tempo para escrever por inteiro “atenciosamente”, reduzindo-as a um “atc” seco, vazio e mentiroso.

Assim também com os “abcs” e os “bjs”.

Ah...os bjs..Amigo querido de Belo Horizonte criou uma teoria sobre as despedidas com os “bjs”, ou seria “bj” ou “bjo” ou “bjos”, ou, até mesmo, “beijos”? Pare e pense. Cada um na sua forma confortável de não dizer (escrever) o que realmente se quer transmitir. O que dá, inegavelmente, ao outro, o direito de interpretação plena e, ao meu amigo, o de criar uma teoria.
Bem nos dias atuais, nos fartamos com emoções simbólicas digitáveis, mas existem as de preferência, prova encontra-se em seus emotcons preferidos o famigerado “legal”. É, ele mesmo, aquele legal de dedão em riste.

Indecifrável “legal”.


Esse que samba na cara do receptor a mais pura intenção de descaso. O cúmulo da mudez. O lugar de resposta menos empático e mais preguiçoso. Aquele que diz claramente o que os medíocres mais usam: a faceta de não se comprometer.

terça-feira, 29 de março de 2016

ESSE OLHAR


Ela havia passado o dia mais animado dos últimos muitos dias de sua vida.
ESSE OLHAR


Embora seu corpo pulsasse e ela sentisse em cada célula o desejo quase incontrolável pelo prazer artificial, por si mesma e quem ama, suportou, naquele dia de sol, todas as dores, todos os vazios facilmente preenchidos com um telefonema apenas, e se distraiu com afazeres domésticos a fim de agradar seu amor.

Já sentindo a sensação da doença, que em dias de euforia não lhe deixa dormir, tentou afastar  o pensamento da noite que se aproximava e que, nesses dias lhe trazia desespero, brigas, lágrimas, opressão e dor.

Aquele dia começou bem, haveria de terminar bem.

Gastou todas suas energias em compreender, ser paciente, amiga, não julgar, companheira, mostrar-se apaixonada e determinada naquela relação.

Como um relacionamento não é feito apenas de beijinhos, chocolate, ciúmes e orgasmos, ela usou a razão para resolver uma questão racional. Foi para sala ler enquanto ele descansava no quarto.

Ávida pelo sono que não chegava. Precisava de um olhar de “tá foda, né? Eu te entendo. É só uma fase.” Mas recebeu um olhar de reprovação por estar acordada. A contra gosto sim, sentindo dor e tristeza também.

Julgar a dor alheia através de nossas lentes é cruel.


“Mas afinal o que é rock n' roll?
Os óculos do John, ou o olhar do Paul?”
                                                                     Humberto Gessinger

Pensemos...sintamos....