Pensações

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O capitão de sua alma

Meus deuses respiram. Sou muito humana e minhas orações e pensamentos, muitas vezes, precisam de formas para que eu compreenda. Os arbustos nos quais preciso me apoiar ainda têm raízes que penetram infinitamente o chão. O céu é longe...muito longe...

Por isso leio poemas e abstraio em telas. Ouço música. Minhas orações espontâneas. Todas criadas por deuses que sangram.
Nelson Mandela é um deles. O dono da alma incansável, o mestre de seu destino. Mesmo com minha paixão pelos livros, sobre ele vi apenas filmes, além de muitas, muitas reportagens.

Há alguns anos saboreei ‘Mandela: a luta pela liberdade’. São trechos ínfimos de vinte anos na prisão de Robben Island, onde mesmo passando por muitos horrores, sem certeza alguma do que poderia lhe acontecer no outro dia, manteve-se intacto, íntegro e perseverante.
“Além deste lugar de raiva e lágrimas
É iminente o horror da escuridão,
E ainda o avançar dos anos
Encontra, e me encontrará, sem medo.”

Esse é um trecho de um poema que ele escreveu na prisão, mas que serviu como uma espécie de oração, reafirmando o que há de óbvio num ser inconquistável.

Mandela foi libertado, tornou-se presidente da África do Sul, ganhou um Nobel e tantas outras honrarias. Mesmo antes de saber que venceria, já recitava:
“Nas cruéis garras da circunstância
Eu não fiz cara feia ou sequer gritei.
Sob as pauladas da sorte
Minha cabeça está sangrenta, mas não rebaixada.”

E assim sigo na fé. Repetindo as orações dos meus deuses palpáveis. Acredito que um pouco de observação servirá para entender que Deus o enviou, assim como tantos outros. Mandela mesmo recorre a eles, os outros deuses, pois até o diamante é passível de desgaste.
“Noite à fora que me cobre
Negra como um breu de ponta a ponta,
Eu agradeço, a quem forem os deuses
Por minha alma incansável.”

Eu também. Obrigada, Nelson Mandela.

O poema, ouvi no filme ‘Invictus’, imperdível história sobre a capacidade deste homem. Não sei se seu título está correto, mas segue o poema na íntegra:

Invictus (tradução)

Noite à fora que me cobre
Negra como um breu de ponta a ponta,
Eu agradeço, a quem forem os deuses
Por minha alma incansável.

Nas cruéis garras da circunstância
Eu não fiz cara feia ou sequer gritei.
Sob as pauladas da sorte
Minha cabeça está sangrenta, mas não rebaixada.

Além deste lugar de raiva e lágrimas
É iminente o horror da escuridão,
E ainda o avançar dos anos
Encontra, e me encontrará, sem medo.

Não importa o quão estreito seja o portão,
O quão carregado com castigos esteja o pergaminho,
Eu sou o mestre de meu destino;
Eu sou o capitão de minha alma.

Amém.

3 comentários:

William Garibaldi disse...

Vc leu os comentários? da sua postagem passada,
o eu rcebi um selo do Blog Cova do Urso, e escolhi mais 6 Blogs... te interessa?

William Garibaldi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pollyane Schenato disse...

Sim! Interessa-me muito. Como faço para pegar?