Pensações

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Oração ao Ano Novo


Peço, ao tão esperado Ano Novo, apenas um piano. Mas não um piano qualquer. Menina de ver o bonito que sou, quero aquele de calda. Grande. Através do qual possa ver minha imagem refletida em sua madeira envernizada. Aquele piano dos grandes concertos nos quais as damas vestem-se de veludo e sapatos de verniz e carregam um leque a tira - colo para mostrarem ou esconder as emoções. Desses onde os cavalheiros vestem seu melhor fraque e sempre são gentis. 

Novo Ano, permita que essas pessoas compreendam minha mistura de notas e que a cada uma que eu tocar, sincero e puro seja seu som. 

Quando silêncio fizer, que seja a sublime hora dos aplausos, afim que eu me distraia da angústia de não conseguir tocar a canção que suplica minha alma transbordar naquele instante.

Por bondade ou merecimento, quando distraída tocar em um tom maior, que entendam que não é por desaforo ou desejo de errar, mas por ainda não ser capaz. Ainda.

Portanto, se não for pedir demais, quero um maestro que me visite vez ou outra e sussurre, baixinho, com as mãos sobre as minhas, a forma certa de se fazer. 

Tempo, quando pedirem-me uma valsa que ainda não sei tocar, que faça-se entender que não é que não irei tocá-la, mas é que apenas ainda não a domino. Apenas.

Não peço aplausos nem vaias, só, e só mesmo, que as pessoas da fila da frente entendam que eu já pedi a alguém para me ensinar e que só ele sabe dos calos em meus dedos e das lindas músicas que compus. Ele, o maestro beija-flor.

9 comentários:

claudio ortman disse...

Lindo,Pollyane. Eu quero estar na platéia, de fraque, elegante e garboso, para ser o primeiro a aplaudir quando você entrar e sair de cena. Quanto ao seu texto ainda estou aplaudindo minutos depois de lê-lo. Lindo mesmo. Como as coisas que você faz. Bjs.

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

A bela e linda magia de um belo "block". Ponto pra vc!

"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"

Carla Barros disse...

Ta inspirada heim nêga. Adoro seus textos, mas te odeio por não ter ido lá em casa. Relações cortadas. :(

Anônimo disse...

Posso ser o Maestro?

Luciano Medeiros

Pollyane Schenato disse...

Ah....desculpem-me todos...mas o Soneto...o meu Vinicius....me deu até alegria de viver....

Anônimo disse...

rs... usei de informação privilegiada. Foi injusto! rs

Te adoro demais!

carolyne oliveira disse...

lindo, Polly! Parabéns, você escreve muitíssimo bem!!! beijos, Quero

paloma disse...

lindo lindo d++!! bem poetico..