Pensações

Pensações

domingo, 11 de novembro de 2007

Do tamanho do infinito

Meu amigo Abílio morreu. Tirando a angústia, o que me resta é uma pergunta. Por quê?
Por quê ele foi tão cedo? No último final de semana, quando o encontrei, eu não falei o tanto que eu o amava, o tanto que ele era importante para mim, seja em nossas ilustres quintas-feiras, seja com um bom dia inesperado numa manhã de trabalho.
Não olhei nos olhos dele e disse adeus. Dei um beijo de tchau, até o próximo final de semana apenas.
Pego o celular e vejo na agenda o seu número. Quem vai atender se eu ligar? Quem vai ler meus poemas e sempre adorar? E meu livro, caro amigo. Você faz parte dele. Quando ele existir, onde você estará?
Você está off do messenger. Você está off pra sempre. Não vai mais me chamar.
Vou apagar seu número da minha agenda?
Vou deletar seu endereço de e-mail?
Vou fazer o que com as fotos?
E quinta-feira?
Pedro Bial disse que morrer é ridículo (ou será que foi o Jabour??).
Está sendo rídiculo...
Sabe aquele nosso telefone de falar com Deus?
Atende um dia, só pra me contar como você está....

Do tamanho do infinito

Ele não teve filhos
Tinha trinta e três
Sorria com liberdade

Não deixou dinheiro
Nem dívidas
Viveu com o que deu

A rua era sua inspiração
O bar, o momento de criação
Sua casa era de todos

Pagou o preço por pensar
“Ninguém pensa impunemente”
Escreveu depois de calcular

Seus poemas vão ficar
No coração de quem com ele esteve
Na alma, o brilho do olho

Que se foi
Foi pra onde?
Só o infinito é do seu tamanho.

2 comentários:

Rute disse...

Meu amor,
ainda dá tempo de manifestar para ele o tamanho de seu amor...
Ele ainda pode te escutar...
Ainda, de certa forma está conosco...
Tive notícias dele hoje, e o pessoal do hospital está pedindo para os amigos pararem de divulgar sua morte, pq oficialmente nada foi declarado.
Ainda há tempo, quem sabe ele está esperando ouvir isto de alguém, pense nisto...
Com sua manifestação de amor ou ele resolve descansar para sempre, ou resolve ser do contra e ficar um pouco mais para quem sabe, tomar todas ainda...
Bjos.

E.M. disse...

Pollyane,

caí por acaso no seu blog e gostei bastante. Ao menos não se pode dizer que falta música aos seus versos. O ritmo é gostoso, as imagens se sucedem com competência.

Esses mineiros nascem mesmo sabendo escrever!

Saudações.

E.M.