Pensações

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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Amores e contas

Vivemos uma crise nas relações amorosas. Claro, depois que queimamos os sutiãs na praça, não poderíamos esperar outra coisa. De todo complexo relacionado às mudanças provocadas pela emancipação das mulheres, vou falar do que mais tenho notado nos últimos tempos.
O New York Times publicou um estudo que relata que as mulheres entre 20 e 30 anos estão ganhando melhor que os homens da mesma idade. Isso se deve ao fato de que o sexo feminino está mais especializado nesta faixa etária que os homens.Há um maior número de senhoritas graduadas e pós-graduadas com esta idade.
E essa situação, na relação a dois, se reflete especialmente na hora de pagar as famigeradas contas no final da noite. Pode ser no bar, no restaurante, na boate, na comida feita ou entregue em casa. Pode ser na hora do sexo, de um agrado, de uma carona ou de um algodão doce no parque.
Os homens perderam o senso do cavalheirismo. Na verdade, eles perderam mesmo foi o bom senso. Acho que a divisão de contas é uma forma justa de encarar as despesas. Mas existem os casais que exageram. Dividem tudo, até os centavos.
A generosidade e a valorização do momento não estão sendo levados em conta. Uma noite agradável não tem preço, por que estragá-la com mediucridades, contando moedas?
Certa vez, me arranjei com um bom partido. Alto, forte, bonito, inteligente, formado e com todos os adjetivos para um HPC (homem pra casar). Quando começamos a nos encontrar na minha casa, o que é facilitado pelo fato de eu morar sozinha, sempre fazia algumas comidinhas para agradá-lo, muitas, inclusive, a pedido dele. Outras vezes pedíamos pizzas ou sanduíches. Como ele estava na minha casa, seguia a lógica de que eu deveria pagar, afinal de contas não estávamos namorando e ele era uma visita. Não sentia dele muita disposição para dividir essas contas comigo e uma aceitação muito rápida e fácil do argumento de que ele era mesmo uma visita.
Mas, isso era de fato um agrado. Eu o fazia com o melhor coração. Estava até me apaixonando por ele até que um dia perdi o encanto. Talvez alguém ache banal o que direi. Ache banal o fato de ter perdido o encanto por uma coisa tão pequena. Mas são nas pequenas coisas que identificamos os corações com os quais lidamos.
Depois de meses de pizzas, lanches, cervejas e vinhos que eu bancava na minha casa, fomos lanchar em um dia de semana na rua. Após um delongado tempo com o cardápio na mão - ele analisou o preço de cada hambúrguer, o que vinha, o que não vinha, o tamanho do bife e até do tomate etc - escolhemos o lanche (eu sempre peço o mesmo). Na hora de pagar a conta, alguém acredita que ele dividiu centavo por centavo?
Pois podem acreditar.
Concluí que naquele pequeno gesto continha a falta de generosidade de seu próprio coração. Eu paguei meu lanche e ele o dele e saí de lá com a certeza de que por mais independentes que nós, mulheres, nos tornamos
isso não implica que estamos dispostas a ficar com uma pessoa muquirana, a estar com uma pessoa que não nos enxerga e que não leva em conta as coisas que fazemos para agradar, por mais moderninho que seja.
Fico me perguntando em que mundo vive um homem que no primeiro encontro quer "rachar" as despesas. E aquele que quer dividir a conta do motel já na primeira noite? Tenho amigas que colocam gasolina no carro dos namorados para poderem ir de um bairro a outro da cidade numa sexta-feira. E o pior, tive um colega de trabalho que toda vez que dava uma carona para a namorada pegava um passe de ônibus com ela.
O dinheiro não paga nossos bons momentos. Muito pelo contrário, um possível bom momento quando calculado perde seu valor.
Não se pode perder a oportunidade de fazer agrados para quem amamos, pelo menos para quem amamos.
A mulher de hoje quer dividir as contas, mas quer também um pouco de sensibilidade de seu parceiro. Como diz minha melhor amiga em tom de arrependimento: por quê fomos queimar os sutiãs na praça?

9 comentários:

Pollyane Schenato disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pollyane Schenato disse...

Quero ver a defesa masculina!!!

Flávio disse...

Ah, meu Deus!
Essas mulheres vivem parando com o homem errado e acham que TODOS são assim!
Evidente que esse cara que vc namorou jamais foi um cavalheiro. O cara pra sair com uma mulher como vc, já tinha que pagar, só por estar com vc!...e vc ainda cozinhava pra ele?!!!
Tome rumo na vida, menina!
Procure quem te valoriza!;-))))

bjs

Jouber disse...

Bem, eu não sei se vc está muito certa sobre o que disse. Mas em partes eu posso concordar, nunca gostei da sensação que rola no final da mesa quando o garçom chega com a conta pra galera, eaí sempre tem um matemático da mesa que pega calcula e divide tudo. Acaba que eu sempre dou a mais, na verdade a conta certa (dinheiro da conta e o outro pelos momentos de risada rsrsrs, que na verdade vira uma simbologia, porque risada nao tem preço). Entenda, talvez vc se relacionou com o famoso matemático de mesa, aqueles que sabem quem bebeu, quem comeu feijao amigo ou quem tirou três fatias de batata frita da porção.
E caso não encontre quem pense igual a vc, discuta sobre isso um momento, talvez as outras qualidades do cara supere essa deficiência. Num to falando, relacionamento ta igual vestibular, uma questão errada e vc está fora.
bjassoo

Claudia disse...

Quem é esse pão duro? Não sabia que a coisa tava feia nesse mundo de solteiros. Confia "HOMENS MELHORES VIRÃO"
Bjocas da Tia!!!!!!!!!!!!

Rute disse...

Como vc aguentou ficar ainda alguns meses antes de descobrir que ele era assim? Se houver próxima vez descarte-o no início, senão já viu acaba achando que tudo isto é normal. Ou seria neurótico??????rsrsrs.
Bjos.

Abílio disse...

Primeiro: homem nunca teve nem terá bom senso.
Segundo: ninguém é igual a ninguém.
Terceiro: feminismo é o pior dos machismos.
Quarto: onde fica mesmo????
Quinto: todo mundo ainda vai encontrar alguém pra dividir as havainas na hora do banho.

Evelyne disse...

Amore, sei bem, sei bem...vc bem sabe que já passei por isso e chutei o dito cujo. Mas eu creio, que HCP exitem em algum lugar que não sei qual ainda, talvez num mundo paralelo. Eu não me canso jamis, talvez a gente trombe com ele em alguma esquina. E, talvez esse, seja o encanto da vida: precisamos passar e conhecer os homens errados, para encontrar o certo.

Amo...

Kledir disse...

FAZENDO UMA ANÁLISE PROFUNDA DO TEXTO(SABOROSO, POR SINAL), ACREDITO QUE A QUEIMA DE SUTIÃS (FATO ESTE QUE EU DARIA UMA POESIA PRÁ ASSISTIR), É PORQUE AS MULHERES DE HOJE, QUE SE CUIDAM, PASSAM HORAS EM SUPERMERCADOS TENTANDO COMPRAR COM CARTÃO DE CRÉDITO BLOQUEADO, E NÃO TEM TEMPO NEM SACO, DE LEVAR O CARRO PRÁ LAVAR, NÃO PRECISAM DESTA PEÇA PARA LHE DAR SUSTENTABILIDADE.
SURTIU O MESMO EFEITO QUE OS "CARAS PINTADAS", QUE FOI UM MARCO, MAS QUE NÃO DEIXOU MARCAS PROFUNDAS, E SIM CICATRIZES, QUE NÃO SE CONSEGUE APAGAR MAIS.
RESUMINDO: ADOREI A FORMA COMO VOCÊ RELATA, DE FORMA GRACIOSA O COTIDIANO.
SINERAMENTE, VOCÊ NASCEU PRÁ FAZER, E SER NOTICIA!!!