Pensações

Pensações

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Essa tal felicidade

A felicidade é um abstrato livre. Nada é capaz de conte-la. Nenhum objeto, nenhum frasco, nenhum lugar, nenhuma estação. Ela está solta...está a bailar...
Às vezes, acho que ela está por demais além. Grande, flutuante com seus longos cabelos soltos. Sem roupa também – se a felicidade usasse roupas, não seria felicidade.
E quando olho para ela, ela está a me sorrir. O que está além sempre está a nos sorrir. O engraçado é que mesmo me sorrindo, sei que ela não tem forma, não tem nexo. Na verdade, são muitas. Uma para cada ser. Uma felicidade pra mim, outra pra você. Assim, compreendemos que ela não está no singular. São muitas as felicidades. E o que é felicidade para um, para o outro é infelicidade. Tão complicado...
Se eu a conhecesse não seria cortês. Não gosto de entidades que estão além. Falaria umas verdades em sua cara sorridente. Falaria muitas e boas para essa inalcançável. Perguntaria a ela quem ela pensa que é indo e vindo sem sequer bater na porta ou dar um simples adeus, sem explicar o porque de estar indo e quando volta (pelo menos poderíamos espera-la com um bom perfume). Ela não carrega malas...
Depois me desculparia e em meio à sinceridade e à admiração a cumprimentaria. Ela é uma inalcançável generosa. Não liga muito para cor e posses. Ela freqüenta o pagode e a bossa nova sem sequer trocar os panos. Unipresente, podemos vê-la em vários lugares até de uma mesma rua. Ela não se importa em comer com a mão. Há vezes que ela dorme nos bancos da calçada. Ela adora festas e bibliotecas. Pode estar numa conta gorda ou num beijo melado de boa noite. Pode estar na companhia ou na cama limpa e espaçosa das noites solitárias de verão. Pode aparecer no inverno depois de um chocolate quente e uma tragada. Pode até nos visitar após uma tragédia, depois da qual percebemos que perdemos apenas alguns bens e um bocado de sossego, mas valorizamos estar vivos e com saúde.
Espaçosa! Não respeita o espaço alheio. Quando ela resolve visitar alguém não se contenta apenas com um. Invade o coração de quem está por perto. Não pede nem para entrar. É tão bom estar com pessoas felizes! É contagiante!
Disso eu não reclamaria. Mesmo considerando um defeito – ser espaçosa – ia deixar passar. Há alguns defeitos que nos enchem a alma. É a chance que temos de entender que com toda imprecisão podemos e vivemos. Os defeitos são alguns dos melhores recipientes momentâneos de felicidade. Ela se ajeita fácil com eles. São amicíssimos.
Mesmo tão sem dono, pelo menos sabemos seu endereço. Sua casa fica no alto do morro da satisfação. Subi-lo emagrece e... a vista lá de cima é sem comparação.

3 comentários:

Pollyane Schenato disse...

Sei lá. Sabemos que ser feliz ´euma conquista árdua. Por isso escrevo sobre essa louca.

pré-pós-tudo disse...

Ahhhhhhhh que bom!!! Mais um blog para alimentar a doença da escrita!!!
E começou bem... essa história da felicidade não usar roupas não sai da minha cabeça! Dá até vontade de aderir rependtinamente à moda naturalista e ser feliz em uma praia nudista!!! hahahaha!!!
Que venham mais prozac´s... mais textos... mais coisas boas e desnudas!!!
Beijos!

Claudia disse...

Sempre achei esse texto seu da felicidade o melhor. Penso que a felicidade não é complicada, nós que complicamos as coisas. Para mim, a felicidade está na simplicidade das coisas. Bjos!!!