Pensações

Pensações

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Remendos

Acho que ela precisaria de um pouquinho mais de inteligência para viver bem nesse mundão de meu deus. Quando senta na rede do quintal e observa esse céu imenso, hora pintado de estrelas, hora nublado, pensa quietinha, como em segredo até para ela mesma: “fiz tudo errado”.


A verdade é que passou os últimos anos remendando sua colcha de erros. E ela não acaba. Às vezes, com muita paciência, tal qual uma mãe zelosa que ensina as primeiras letrinhas ao filho, outras, como um carro de corrida na qual cada pit stop pode decidir, por questão de milésimos de segundos, o resultado da corrida inteira.


E como faz mal viver como em uma corrida! O remendo sai torto, fácil de arrebentar novamente. Mas dependendo do momento que se vive, não da tempo de ter paciência e acabamos tendo que sair passando por cima de tudo e atropelando desejos, afetos, certezas e tantas coisas que nos são tão caras...


Ela tem certeza que daqui há dez anos, olharia para si hoje e pensaria com um discreto meio sorriso: “bobinha. Vai dar tempo de fazer tudo, só que você ainda não sabe. Assim, vai deixar o remendo frouxo e, possivelmente, terá que fazer de novo, com essa sensação aí, inconfessável, de que fez errado, só que... novamente.”


Todos já remendaram alguma coisa em suas colchas. Existem colchas nas quais os remendos nem aparecem. Ela tem inveja dessas. Em outras, os remendos dão até um charme especial, os diferenciam das demais. Mas sua colcha tem remendo demais e ainda restam tantos a fazer que ela até pensa se não seria melhor comprar uma nova. E em sua cabeça martela: “compre uma em Barcelona, comece de novo, jogue essa fora!”


Suas mãos já estão calejadas de linha e agulha. Consertar alguns buracos é muito dolorido, exige concentração extra, olhos espremidos, mãos feridas e até uma dose de humilhação.


Eu diria para ela que sua colcha, mesmo com os muitos remendos, é alegre, colorida, cheia de cores festivas, desenhos de amigos queridos, de amores quase perfeitos, de viagens inesquecíveis, de prazer e superação. Mas quem disse que ela acredita?


E assim ela segue, embora já tenha descoberto o dedal, remendando erro por erro e... cometendo outros.

11 comentários:

Anônimo disse...

Pois eu prefiro as histórias e todas as passagens da colcha "dela", porque foram elas que a fizeram assim hoje. A mais interessante de todas. Não remende nada, em absoluto, eu lhe garanto.

Luciano Medeiros

Pollyane Schenato disse...

Obrigada, Luciano, pela atenção nos meus posts.
Gosto muito quando o pessoal comenta.

Bjs

Anônimo disse...

Polizinha vou te ajudar a remendar sua colcha, só que lá na Cervejaria. vai rola viola e vamu exprementar a primeira dessa safra.

Diego Blue

Anônimo disse...

Tá convocada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Carla Barros disse...

Delícia de texto Polly!!! Quantos remendos por fazer em minha colcha viu. Espero que fique tão linda e colorida quanto "a sua". Bjos

Pollyane Schenato disse...

Carlota, o foda é quando a gente se dá conta disso....
Mas vamos lá!!!!!

Bjs

Pollyane Schenato disse...

Di, noite ímpar!
Foda é 'O Dia Depois de Amanhã´....kkkkkk

Anônimo disse...

Espero que eu não seja um dos remendos. Saudade moça doce rebelde...

D.S.

Anônimo disse...

Espero que eu não seja um dos remendos. Saudade moça doce rebelde...

D.S.

Anônimo disse...

Esse já virou um dos meus textos preferidos...Se for preciso a gente remenda, remenda e remenda novamente...

Eve...

Pollyane Schenato disse...

E vamu remendar, amiga....kkkkkk