Pensações

Pensações

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Afetos e Afins



Afeto não se mede
Afim, sim

Afeto é arte
Afim é uma arte

Afeto é entrega
Afim é troca

Afeto é soberano
Afim é humano

Afeto é dueto
Afim, monólogo

Afeto, oceano
Afim é lago quente

Afeto é piano
Afim é Caetano

Afeto é tom
Afim, semitom.

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" - Lavoisier

Desculpa aí, Rita!

 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A humildade e a inteligência







Ela estava preparada para alçar um novo voo. 

Arrumara o ninho com dedicação, competência e carinho.
Trocou os gravetos que colhera no inverno por um brilhante capim dourado, procurou pelo bosque outros ninhos que lhe serviram de inspiração para traçar tramas mais certeiras e bonitas, o abasteceu com a melhor comida que encontrara pelo caminho para que tudo corresse bem em sua ausência. 

O voo estava preparado.

Enquanto se ocupara em deixar o ninho formidável para que sua alavancada fosse feita tranquila e segura, para que o caminho que começava a se abrir não desfizesse o pequeno e aconchegante aninhamento já construído, também treinou suas asas.

Asas que lhe foram dadas em motivo ainda desconhecido. Asas que ela tratou de exercitar, pois sabia-se capaz. Asas que já a haviam levado a lugares de movimentos leves, aprendizado constante , encontros de ordem maior. Asas também que a fizeram visitar a sombra, os vales nublados, os caminhos espinhosos.

Tudo pronto para sua partida.

Saiu em derradeiro passeio pela floresta para que, mesmo num lugar mais alto, sempre se lembrasse do lugar de partida, do seu ninho dourado.
Suas asas estavam enormes, glamourosas, resplandescentes diante do reflexo dos últimos raios de sol que se infiltravam entre o arvoredo.

Ao retornar, não conteve a tristeza. Haviam destruído seu ninho!

De certo gaviões haviam passado por ali durante seu passeio. Sentiu, naquele momento de cores cinzas, como se suas asas houvessem sido cortadas. Sentiu a dor da perda, o medo do desconhecido, o desânimo de tudo recomeçar.

Desistir e morar em outros ninhos nem estava em questão. Sua escolha havia sido feita. E mesmo sabendo que mudar de escolha é ser inteligente o suficiente para manter-se na roda da vida, esse não era seu desejo.

Com humildade e resiliência, reuniu-se com os gaviões, ouviu seus motivos para tamanho estrago, pediu, mesmo estando em posição correta , para que compreendessem seu momento e não terminassem o estrago já iniciado. Pediu como o que pedisse não fora seu direito. Pediu em voz baixa. Pediu com olhar sereno. Pediu por favor.

Os gaviões, com suas garras afiadas, fizeram questão de lhe fazer exigências. A trataram com prepotência e certa ignorância. Ainda assim, mantera-se pequena, olhar piedoso, mas sentimento de injustiça. Fingiu acreditar no errado como certo, afim de que eles não voltassem e aumentassem o estrago.

Sentiu-se mau por não ter cuspido em suas feias faces, mas preferiu usar suas asas para colher novos gravetos.

O dia estava lindo...

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Enquanto der



Enquanto der a gente perdoa
Enquanto der a gente apoia
Enquanto der leva na boa

Enquanto der a gente ama
Enquanto der a gente aceita
Enquanto der divide a cama

Enquanto der a gente banca
Enquanto der a gente ouve
Enquanto der segura a ponta


Enquanto der a gente gosta
Enquanto der a gente sente
Enquanto der coloca à prova

Enquanto der a gente junta
Enquanto der a gente briga
Enquanto der se esforça e cuida

Enquanto der a gente toca
Enquanto der a gente ouve
Enquanto der a alma olha

Enquanto der a gente engole
Enquanto der a gente sente
Enquanto der finge não doer               

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mundo invisível



Quando ela construiu seu mundo não pediu opinião. Nem se pedisse. Tamanho imaginário não caberia em outras cabeças nem em outros corações.

Ela mora sozinha desse lado invisível às vistas dos normais. E por mais normal que queira e consiga ser, nenhuma normalidade diminuiu o construído por toda essa estrada.
Ficar cansada do mundo é rotina, das pessoas, piada, dos babacas, rejeição.

Construir teorias, desconstruir teorias, ter certeza e de certeza nada ter. Construir os moinhos e deles não abrir mão. E o vento vem, incerto, mas vem.

Ela pensa em pedras e flores. Sente-se corajosa. Mas coragem não é a disposição de tudo enfrentar. Porque algumas coisas não devem ser encaradas, precisam prescrever. E quem disse que não há coragem em deixar prescrever o gozo?


À medida que observa do seu mundo, percebe-se cada vez mais sozinha, cada dia mais impenetrável.

domingo, 24 de agosto de 2014

Lambuze-se


E mesmo que de forma mínima e compacta, tendo, por exemplo, uma noite num motel, não se reserve, não deixe de se lambuzar de tudo que lhe é ofertado.

A vida é uma uma incógnita. Ninguém tem certeza da certeza.

Então, meu filho (a), aproveite. o fim pode estar ali na esquina.