Pensações

Pensações

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Detesto

 Detesto gente sem noção, gente que faz drama, gente que me cobra o que eu não posso e/ou não quero dar, gente que fica contando trilhões de vezes onde conheceu fulano, como começaram a namorar, como se apaixonaram..aff!!! Detesto rodinha de mulher que só fala de homem, de homem que só fala do seu esporte preferido, de gente reclamona, de gente que se acha o Steve Jobs e TEM certeza que sua existência vai mudar o mundo. Detesto quem diminui o outro, quem fura fila, quem não retribuiu um sorriso só porque não conhece a pessoa. Detesto gente amarga, detesto gordo que se diz feliz e magro que passa fome (porque pra ficar magro é inevitável: uma hora você passa fome) e fala que come de tudo. Detesto gente lerda. Detesto gente covarde. Detesto amor platônico, eu gosto é de sentir o gosto da carne. Detesto quem se faz de santo. Detesto que encham meu saco porque durmo até tarde, porque não vou estragar minha unha lavando louça e porque vou sair fora de um CHATO que só fala que seu "filhote" passou no mestrado.
As pessoas têm que ter noção. Antes de alugar alguém, você tem que tocar a campainha, pedir permissão pra entrar, limpar os pés no tapete da sala...aff..por isso que gasto uma baba com minha psicóloga.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Minha amiga Dani

Minha amiga Dani morreu.
 
Foi assim, numa quarta-feira à tarde, num dia normal. De repente, quase que como não fosse, chega a notícia por telefone enquanto eu, afogada em e-mails de trabalho, ligações de clientes, broncas em fornecedores.
Foram 24 anos de amizade pura e sincera. Brincamos de boneca, nos comunicávamos pelo terraço, aprendemos a fumar, beber, namorar...Crescemos. Fui sua madrinha de casamento e ela do casamento da minha irmã.
 
Minha amiga Dani morreu.
O que eu faço com o seu número na minha agenda? Quem vai atender se eu ligar?
A Dani é uma das pessoas mais generosas que conheci. Sabe, Dani, eu ainda estou em transe, com dor, sem entender. Fica bem pra mim. Continue forte e sincera como sempre. Seja luz. Siga a Luz.
Eu ainda persigo respostas.
Te amo pra sempre. Obrigada pelos sorrisos...

domingo, 4 de março de 2012

Minha vida

Já andei muito, caminhei caminhos errados, companhias incertas, companheiros impróprios. Quanto mais me doei, mais de mim fui arrancada e, assim, perdi o compasso, o tom, a melodia. Desafinei nos mais simples refrões, me apaixonei por músicos e por minhas próprias paixões.

Fiz do samba, do reggae e da alegria, hinos rígidos que não tocaram em rede nacional. Vendi meu horário nobre sem garantias e nada me pagaram.

Por necessidade e, até por poesia, precisei voltar e caminhar de novo. Por avareza e, até por música, precisei me recolher e juntar minhas saias. Largaram-me na porta da igreja, num dia de sol, a quarenta graus.

E foi aí que minha fantasia se derreteu e acertei, de certo, a realidade. Tiro impecável, alvo certo.

Soltei as saias, aos poucos. Joguei fora as anáguas. Virei chuva, lágrima, sorrisos e beijos. Não desperdiço minha vida com nada que não seja minha própria vida. E nessa intensa paz misteriosa, deparo-me com admiradores mudos e invejosos desesperados.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Às vezes, nem as manhãs de sol

Faz sol, é verdade. De manhã pela sua janela brilham pequenos raios que, com uma enroladinha a mais na cama, chegam a aquecer seus pés. É meio um carinho do dia dizendo em voz baixa: "acorda. Vamos começar de novo. Vai ser legal. Pense que é mais uma aventura."

Mas nem sempre é tão legal assim. Por mais que saibamos que a vida é isso mesmo, que no final tudo dá certo (?), que o tempo passa para todo mundo e não é só você que fica de saco cheio às vezes, tem dias que nem o amarelo ouro do sol consegue colocar graça na vida.

Ela está cansada. E o pior, não sabe de quê. Do seu lado o colega de trabalho come uma caixa de bis e anuncia na rede social que ajuda, por outro lado ela está em "contenção de calorias" (ninguém mandou beber a Ambev inteira nas festas)...
O carro com o som alto passando lá em baixo anuncia que tem alguém animado, ou tentando se animar, ou esquecer que tem que se animar.

Às vezes, pode-se distrair o desânimo, assim como disse uma amiga que perdeu um filho "a gente vai distraindo a tristeza, a vida vai passando". Dá até pra lembrar daquela música 'a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando essa...'. Mas seu ritmo baixinho de bossa nova quase faz disistirmos de ir levando e é aí que entra a ironia: houveram dias de chuva que ela estava bastante animada e contente, só que reclamava da música que não saía da sua cabeça 'delícia, delícia...ai se eu te pego'...que confusão!

Então, toma uma vitamina, pode ser a dieta...Vitamina engorda! Complexo B abre o apetite, diz o tio google. O choppinho tá de altas, o tira gosto também, o happy hour foi pro saco até o carnaval...Será que ela dormiu pouco essa noite?

Não é de seu feitio o mal humor, mas o desânimo ocupa seu lugar e é um deixa isso pra depois aqui, vamos ver isso amanhã de lá. Dá pra desanimar da vida? Não. Não dá. Que seja então por dois... três dias e aí a gente faz como Caetano e Chico (e olha que eles têm o mar de Ipanema).

Nem reler o texto acima pra saber se tem erro de português ela se deu ao trabalho. Que voltem logo os dias do "ai se eu te pego", porque, às vezes, nem as manhãs de sol... #tédio

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Oração ao Ano Novo


Peço, ao tão esperado Ano Novo, apenas um piano. Mas não um piano qualquer. Menina de ver o bonito que sou, quero aquele de calda. Grande. Através do qual possa ver minha imagem refletida em sua madeira envernizada. Aquele piano dos grandes concertos nos quais as damas vestem-se de veludo e sapatos de verniz e carregam um leque a tira - colo para mostrarem ou esconder as emoções. Desses onde os cavalheiros vestem seu melhor fraque e sempre são gentis. 

Novo Ano, permita que essas pessoas compreendam minha mistura de notas e que a cada uma que eu tocar, sincero e puro seja seu som. 

Quando silêncio fizer, que seja a sublime hora dos aplausos, afim que eu me distraia da angústia de não conseguir tocar a canção que suplica minha alma transbordar naquele instante.

Por bondade ou merecimento, quando distraída tocar em um tom maior, que entendam que não é por desaforo ou desejo de errar, mas por ainda não ser capaz. Ainda.

Portanto, se não for pedir demais, quero um maestro que me visite vez ou outra e sussurre, baixinho, com as mãos sobre as minhas, a forma certa de se fazer. 

Tempo, quando pedirem-me uma valsa que ainda não sei tocar, que faça-se entender que não é que não irei tocá-la, mas é que apenas ainda não a domino. Apenas.

Não peço aplausos nem vaias, só, e só mesmo, que as pessoas da fila da frente entendam que eu já pedi a alguém para me ensinar e que só ele sabe dos calos em meus dedos e das lindas músicas que compus. Ele, o maestro beija-flor.