Faz sol, é verdade. De manhã pela sua janela brilham pequenos raios que, com uma enroladinha a mais na cama, chegam a aquecer seus pés. É meio um carinho do dia dizendo em voz baixa: "acorda. Vamos começar de novo. Vai ser legal. Pense que é mais uma aventura."
Mas nem sempre é tão legal assim. Por mais que saibamos que a vida é isso mesmo, que no final tudo dá certo (?), que o tempo passa para todo mundo e não é só você que fica de saco cheio às vezes, tem dias que nem o amarelo ouro do sol consegue colocar graça na vida.
Ela está cansada. E o pior, não sabe de quê. Do seu lado o colega de trabalho come uma caixa de bis e anuncia na rede social que ajuda, por outro lado ela está em "contenção de calorias" (ninguém mandou beber a Ambev inteira nas festas)...
O carro com o som alto passando lá em baixo anuncia que tem alguém animado, ou tentando se animar, ou esquecer que tem que se animar.
Às vezes, pode-se distrair o desânimo, assim como disse uma amiga que perdeu um filho "a gente vai distraindo a tristeza, a vida vai passando". Dá até pra lembrar daquela música 'a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando essa...'. Mas seu ritmo baixinho de bossa nova quase faz disistirmos de ir levando e é aí que entra a ironia: houveram dias de chuva que ela estava bastante animada e contente, só que reclamava da música que não saía da sua cabeça 'delícia, delícia...ai se eu te pego'...que confusão!
Então, toma uma vitamina, pode ser a dieta...Vitamina engorda! Complexo B abre o apetite, diz o tio google. O choppinho tá de altas, o tira gosto também, o happy hour foi pro saco até o carnaval...Será que ela dormiu pouco essa noite?
Não é de seu feitio o mal humor, mas o desânimo ocupa seu lugar e é um deixa isso pra depois aqui, vamos ver isso amanhã de lá. Dá pra desanimar da vida? Não. Não dá. Que seja então por dois... três dias e aí a gente faz como Caetano e Chico (e olha que eles têm o mar de Ipanema).
Nem reler o texto acima pra saber se tem erro de português ela se deu ao trabalho. Que voltem logo os dias do "ai se eu te pego", porque, às vezes, nem as manhãs de sol... #tédio
Esse blog é uma tentativa de não usar Prozac. Escrever é uma doença incurável. Mas, com certeza, uma das mais belas doenças.
Pensações
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Oração ao Ano Novo
Peço, ao tão esperado Ano Novo, apenas um piano. Mas não um piano qualquer. Menina de ver o bonito que sou, quero aquele de calda. Grande. Através do qual possa ver minha imagem refletida em sua madeira envernizada. Aquele piano dos grandes concertos nos quais as damas vestem-se de veludo e sapatos de verniz e carregam um leque a tira - colo para mostrarem ou esconder as emoções. Desses onde os cavalheiros vestem seu melhor fraque e sempre são gentis.
Novo Ano, permita que essas pessoas compreendam minha mistura de notas e que a cada uma que eu tocar, sincero e puro seja seu som.
Quando silêncio fizer, que seja a sublime hora dos aplausos, afim que eu me distraia da angústia de não conseguir tocar a canção que suplica minha alma transbordar naquele instante.
Por bondade ou merecimento, quando distraída tocar em um tom maior, que entendam que não é por desaforo ou desejo de errar, mas por ainda não ser capaz. Ainda.
Portanto, se não for pedir demais, quero um maestro que me visite vez ou outra e sussurre, baixinho, com as mãos sobre as minhas, a forma certa de se fazer.
Tempo, quando pedirem-me uma valsa que ainda não sei tocar, que faça-se entender que não é que não irei tocá-la, mas é que apenas ainda não a domino. Apenas.
Não peço aplausos nem vaias, só, e só mesmo, que as pessoas da fila da frente entendam que eu já pedi a alguém para me ensinar e que só ele sabe dos calos em meus dedos e das lindas músicas que compus. Ele, o maestro beija-flor.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Mais uma de amor [10544477]
Uma das formas que ela encontra pra reencontrar o equilíbrio é escrevendo. Por isso e por não ter outra forma de materializar o que pode acabar com sua aflição, está aqui, por necessidade do coração e não por vontade racional.
Interessante é que ela tem uma grande facilidade em deletar o que se torna um problema em sua vida, seja ele coisa, pessoa, lugar, mas com ele está sendo diferente e isso a preocupa.
Sim, é isso mesmo. Ele se tornou um problema na vida dela. Desses que se leva até ao psicanalista, um problema que mexeu com sentimentos muito mais profundos que apenas o gostar de um homem e ser impossibilitada de manifestar esse amor.
Ele mexeu com uma característica que nem ela sabia que tinha (ou sabia): a dificuldade de lidar com a rejeição. Por toda sua vida sempre foi muito aceita e muito bem recebida no coração das pessoas. É difícil de admitir, depois de tanta vida, descobrir, através de um amor que nunca imaginou que pudesse acontecer, que o mundo não gira à sua volta e as pessoas que a interessam (ou a pessoa) não se encontra em sua órbita, mesmo que nesse lugar o que se recebe é tudo de mais doce que uma mulher pode oferecer.
Ela sente que está sendo injustiçada pelo fato de não poder o ver, o sentir, ter a oportunidade de...de ter oportunidade. Todo mundo tem direito à oportunidade...enfim...ele já determinou o que vai ser dele mesmo e oportunidades já não fazem parte do seu repertório. É reconfortante, igual purê de batata, sabe? rs....mas engorda....
É claro que isso vai passar, ela sabe. Mas, às vezes dói. Dói de noite, dói quando ele não tá no MSN, dói no final de semana, dói quando alguém muito legal quer namorar com ela e ela não consegue, dói quando se olha no espelho e vê tudo que poderia lhe oferecer e quando olha seus livros, e lembra de tudo que gostaria de saber, sua opinião, e dói quando chove e ela quer comentar um bom filme que assistiu, mas não com quem assistiu. Dói.
Incrível sentimento novo.
Ela nunca o colocaria na armadilha de Saint-Exupéry. Só deveria ter sabido desde o início que ele já estava inteiro. Não lhe faltava nenhuma parte. Não havia chances de ser cativado, embora seja cativante por excelência.
Ela queria se afastar, e lhe pedir o mesmo. Até achou que depois do desabafo, seria fácil pedir isso. Mas sente que não falou nem uma partícula do que gostaria de falar e ainda está cheia. Muito cheia.
Aquelas fotos que ele a enviou, não teve coragem de abrir uma segunda vez. Não está alimentando isso, parece que esse sentimento não precisa de receber, só precisa doar.
Enfim, seu pequeno príncipe, no dia que resolver ir embora, vai fazê-la lembrar do dourado da plantação de trigo, da forma como a alimentou e preencheu e ficará como a raposa, principalmente no que diz respeito à não saber da sua mudança para o outro mundo.
Sem coragem pra pedir que pare,
Beijos.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Primavera sem flores
No verão
Te esquentaria, com a sagrada permissão
Mais que a grande estrela
Quando no outono
Pintaria todas as secas folhas
Para, simples, te alegrar
O meu corpo seria escudo
Para que o vento frio do inverno
Suave brisa se tornasse
Viva a primavera!
Fui colher todas as flores para você me enfeitar
Procurei no campo...
Na relva...
Nos parques...
Nos jardins...
Nos quadros de Monet...
Até nas lágrimas que por vezes regam...
Mas elas, as flores, não estavam lá.
Te esquentaria, com a sagrada permissão
Mais que a grande estrela
Quando no outono
Pintaria todas as secas folhas
Para, simples, te alegrar
O meu corpo seria escudo
Para que o vento frio do inverno
Suave brisa se tornasse
Viva a primavera!
Fui colher todas as flores para você me enfeitar
Procurei no campo...
Na relva...
Nos parques...
Nos jardins...
Nos quadros de Monet...
Até nas lágrimas que por vezes regam...
Mas elas, as flores, não estavam lá.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Com ela há trinta anos
Surpreendente é saber que há trinta anos eu a conheço. Nunca nos separamos. Algumas vezes apenas me distanciei, não lhe tratei com o amor que ela merecia, me descuidei de seus sentimentos em função de outras pessoas, mas...só, só isso. Bom, algumas vezes a deixei jogada na cama sentindo pena de si mesma depois de uma decepção. Mas ela sempre estava ali, mesmo quando eu não a queria por perto.
E aos poucos, lua pós lua, vou a dissecando. Com ela há trinta anos, sinto que abri um pedacinho só e ainda estou com ele na lupa sem entendê-lo por completo.
Não posso mentir. A cada dia a sinto mais próxima, maior. Sei que ela sabe o que quer, mas eu não. Numa dessas noites de chuva perguntei: o que você quer da vida? Ela fez cara de mistério e revelou algumas pequenas coisas pedindo sigilo absoluto. "Não conte a ninguém. Isso é entre eu e você".
Entre eu e ela não existe abismo, mas a ponte se faz necessária. Certo que é uma ponte móvel, assim como aquela escada que fica na área de serviço para usarmos quando temos que pegar a mala lá no alto ou trocar a lâmpada queimada. Ponte pra momentos de descuido, momentos que eu a deixo de lado. Construir essa ponte demorou muitos anos, diria décadas. Boba que fui, pensei que como não existia abismo, não precisava de ponte. Mas precisa!
E nos momentos que o mundo, as circunstâncias, as pessoas ou a vida me afastam dela através do grande pedaço desconhecido, e a fazem sofrer, coloco delicadamente minha ponte e chego perto para dizer que comigo ela pode contar...sempre.
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