À distância eu conversava com você
Sentia sua voz
Olhava seu rosto
E desligava
O coração congelava quando lá era inverno
Mas o calor daqui não aquecia
Como flocos de neve
Você se dissolvia
As árvores coloridas
No lindo outono
Em mim despetalavam
As folhas caíam
Se espalhavam pelo espaço
Quando chão, eu não tinha
Se perdiam, flutuavam
O certo escorria pelas mãos
À distância triste seu rosto via
Pela tela reveladora
Meu abraço não te alcançava
Minha mão não te afagava
Pontes de palavras se construíam
A cada encontro, a cada olhar
Por elas andávamos
Difícil nos encontrar
Estreita distância
Para erros e acertos sós
Longa estrada
Para corações que se desejavam a sós
O senhor dos ponteiros não erra
Um dia aqui estaria
E hoje te deixei dormindo
Na minha cama, em minha companhia.
Esse blog é uma tentativa de não usar Prozac. Escrever é uma doença incurável. Mas, com certeza, uma das mais belas doenças.
Pensações
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
À uma amiga
Depois de receber um texto onde a pobre Aninha tenta ser a mulher perfeita para casar e a loira gostosa rouba o olhar de seu príncipe.
Depois que a Pâmela se casou, eu mudei muito a minha concepção de feminismo.
Em uma entrevista o Wagner Moura, atual "Coronel Nascimento", disse que o casamento é uma instituição moderníssima, porque, hoje, ninguém é obrigado a ficar com ninguém. As pessoas ficam juntas por decisão e vontade própria. E é verdade...
Vou confessar, amiga. Escute bem baixinho e depois esqueça: hoje eu acho que nos tornamos loiras loucas porque não conseguimos achar um alguém que nos faça uma Aninha. Ouça o papo nos jantares das "solteiras convíctas", preste atenção nas entrelinhas dos textos das "escritoras desencanadas", lance um olhar sobre os olhares numa balada. Estão todos afoitos pela "metade da laranja", mas na frustação de não conseguir - porque realmente nos (mulheres) posicionamos contra a subordinação diante do macho e não conseguimos, ainda, achar a harmonia de como ser uma boa mulher num outro tempo - resolvemos virar pseudoindepedentes, o que está mais para adolescentes rebeldes, que assumir que estamos a todo tempo em busca de um companheiro de verdade, de alguém que nos fecunde, que nos dê o braço forte como proteção, que nos proporcione um abrigo, que proteja o ninho enquanto alimentamos os filhotes (acho que peguei pesado, agora...rsrsrs). Então, o que temos a dizer: "Foda-se a natureza".
Beijos pseudofeministas.....
Love
Depois que a Pâmela se casou, eu mudei muito a minha concepção de feminismo.
Em uma entrevista o Wagner Moura, atual "Coronel Nascimento", disse que o casamento é uma instituição moderníssima, porque, hoje, ninguém é obrigado a ficar com ninguém. As pessoas ficam juntas por decisão e vontade própria. E é verdade...
Vou confessar, amiga. Escute bem baixinho e depois esqueça: hoje eu acho que nos tornamos loiras loucas porque não conseguimos achar um alguém que nos faça uma Aninha. Ouça o papo nos jantares das "solteiras convíctas", preste atenção nas entrelinhas dos textos das "escritoras desencanadas", lance um olhar sobre os olhares numa balada. Estão todos afoitos pela "metade da laranja", mas na frustação de não conseguir - porque realmente nos (mulheres) posicionamos contra a subordinação diante do macho e não conseguimos, ainda, achar a harmonia de como ser uma boa mulher num outro tempo - resolvemos virar pseudoindepedentes, o que está mais para adolescentes rebeldes, que assumir que estamos a todo tempo em busca de um companheiro de verdade, de alguém que nos fecunde, que nos dê o braço forte como proteção, que nos proporcione um abrigo, que proteja o ninho enquanto alimentamos os filhotes (acho que peguei pesado, agora...rsrsrs). Então, o que temos a dizer: "Foda-se a natureza".
Beijos pseudofeministas.....
Love
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Um pouco de mim pra mim mesma
Tem horas que não dá, sabe?
Eu já deixei de ser muuuito mimada, pra ser só um pouquinho, já abri mão de tanta coisa que pra mim, antes, eram indispensáveis, já não olhei pra uma vitrine porque sabia, não podia gastar e, hoje, ando de ônibus depois de dez anos andando só de carro e ainda dou boas gargalhadas com as histórias que ouço no transporte público e, muitas vezes, faço análise de graça...rsrs
Só que mesmo sabendo que o mundo não era o paraíso da Alice que meu pai e minha mãe me contaram e fizeram acreditar ser, mesmo tendo caindo na real e entendo que o buraco, realmente, é bem mais embaixo, ainda há coisas que me paralizam.
Paralizam a face: nem um sorriso, nem a testa enrrugada, nem uma sombrancelha levantada...uma paralização de tristeza mesmo, com o mesmo mundo que eu tanto tendo entender e praticar.
Algumas coisas que as pessoas falam sem necessidade,algum toque de maldade pra fazer doer um coração alheio, uma mentira mal pregada pra comprovar o desnecessário, a fofoca, o pessimismo.
Daria para citar muitas coisas, muitas que ainda me paralizam a alma. Nessas horas tenho que ouvir uma música ou ver um tela que eu pesquisei no google, ou ler um poema, assim, como se fosse, mesmo, uma oração pra me dar um pouco de mim pra mim mesma. Pra me devolver um pouco de cor.
Eu, ainda, deselegantemente comigo mesma, ainda deixo as pessoas me roubarem a cor e a expressão. Então, vou me recolher pra me devolver a mim mesma.
Há...sei lá....depois passa....
Eu já deixei de ser muuuito mimada, pra ser só um pouquinho, já abri mão de tanta coisa que pra mim, antes, eram indispensáveis, já não olhei pra uma vitrine porque sabia, não podia gastar e, hoje, ando de ônibus depois de dez anos andando só de carro e ainda dou boas gargalhadas com as histórias que ouço no transporte público e, muitas vezes, faço análise de graça...rsrs
Só que mesmo sabendo que o mundo não era o paraíso da Alice que meu pai e minha mãe me contaram e fizeram acreditar ser, mesmo tendo caindo na real e entendo que o buraco, realmente, é bem mais embaixo, ainda há coisas que me paralizam.
Paralizam a face: nem um sorriso, nem a testa enrrugada, nem uma sombrancelha levantada...uma paralização de tristeza mesmo, com o mesmo mundo que eu tanto tendo entender e praticar.
Algumas coisas que as pessoas falam sem necessidade,algum toque de maldade pra fazer doer um coração alheio, uma mentira mal pregada pra comprovar o desnecessário, a fofoca, o pessimismo.
Daria para citar muitas coisas, muitas que ainda me paralizam a alma. Nessas horas tenho que ouvir uma música ou ver um tela que eu pesquisei no google, ou ler um poema, assim, como se fosse, mesmo, uma oração pra me dar um pouco de mim pra mim mesma. Pra me devolver um pouco de cor.
Eu, ainda, deselegantemente comigo mesma, ainda deixo as pessoas me roubarem a cor e a expressão. Então, vou me recolher pra me devolver a mim mesma.
Há...sei lá....depois passa....
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Frase do dia
Meu pai, inspirado pela sexta-feira e decidido, de fato, a me previnir com um bom conselho, solta essa: "Todo mundo é honesto (com cara de entre aspas), mas se aparecer dinheiro e perereca no meio não conte com isso."
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Promoção do Sacolão: policial a uma meiota
Toda quarta e sábado eu compro frutas num pequeno mercado de bairro perto da minha casa. Na quarta-feira, geralmente, eu já saio do trabalho e passo direto lá no Quim*, dono do sacolão, que me conhece desde que eu era pequena, nos tempos que eu podia usar saia mostrando a calcinha com babadinhos de renda e isso significava só uma calcinha com babadinhos de renda.
Quarta-feira as frutas chegam logo no final da tarde e o Mercado vira uma mistura de aromas e cores. Então eu encontro quase sempre as mesmas pessoas, algumas senhoras escolhendo o maracujá, as donas-de-casa olhando as verduras e separando carinhosamente aquele pé de alface verdinho para o almoço de amanhã, um ou outro pai de família pegando uma maçã para a filha, um limão para a caipirinha. Vez ou outra a gente ouve: - Quiim! A mandioca ta sequinha? E o quiabo, ta bom? Eu acho tudo uma delícia.
A esposa do Quim fica no caixa. A balança não para: pesa tomate, pesa mexerica, pesa uva....Sempre que a gente pergunta se alguma fruta ta boa ela logo quer que a gente experimente e prontamente pega uma faca que fica uma num canto aqui, outra num canto lá e já vai descascando, não da nem pra rejeitar.
Numa dessas quartas-feiras eu estava apressada e escolhi rapidinho minhas frutas. Mas como nesse horário lá está sempre cheio, eu não podia esperar para pesar. O Quim vendo minha situação se ofereceu prontamente para levar as frutas na minha casa mais tarde. E assim foi....
Na verdade não foi, porque lá em casa não apareceu nem fruta, nem Quim, nem o menino que eu sempre vejo saindo de lá com uma bicicleta fazendo entrega.
O Mercado sempre fecha as vinte, vinte e uma horas. Na sexta-feira bem de noite fui lá, porque, com certeza, esqueceram da minha encomenda. O Quim estava lá sozinho e ele é do tipo que adora puxar um papo, render uma conversa, e eu já gosto também, então ficamos os dois lá batendo papo e escolhe uma coisinha aqui, outra lá, pesa, ensacola, meia dúzia de ovos: -Ô menina, tem do vermelho. – A não, Quim, eu gosto é do branco mesmo.
- Éee (coçando a cabeça), essa hora é hora das polícia passá aqui. É um tal de filá as coisa aqui no mercadin. Num guento esses guarda!, reclama.
- Ué, eles vêem aqui e pegam as coisas assim, sem mais nem menos?
- É, minha filha. Fazê o quê?
Nem cinco minutos, chega o policial. Farda engomada e cara lavada: - Ô Quim, arruma um copo d’água aí!
Sai correndo o pobre homem, vai debaixo de uma das bancas, tira um litro de cachaça transparente, enche um copo até no gargalo, corre lá atrás do balcão, pega um galão térmico de cinco litros de água e o policial já estava lá fora com aquela cara de político cumprimentado as velhinhas voltando da igreja.
O Quim estende o copo transbordando de cachaça para o guarda que, em serviço (não sei de quem) bebe numa tragada só e ainda pede mais (só que aí era água mesmo, do galão que o Quim ficou segurando pra despistar o pessoal da rua).
Viatura ligada e lá vai embora o carro da polícia que faz a ronda para nossa segurança.
- É Quim, eu vi, viu? Não segurei.
- Pois é minina, é que eu não tenho carteira de moto, sabe?
Da minha noite eu sei falar: fui dormir porque tinha curso no outro dia cedinho. Já a do guarda....não sei....mas deve ter sido mais animada que a minha.
* É claro que o apelido do Quim não é Quim, né gente...
Quarta-feira as frutas chegam logo no final da tarde e o Mercado vira uma mistura de aromas e cores. Então eu encontro quase sempre as mesmas pessoas, algumas senhoras escolhendo o maracujá, as donas-de-casa olhando as verduras e separando carinhosamente aquele pé de alface verdinho para o almoço de amanhã, um ou outro pai de família pegando uma maçã para a filha, um limão para a caipirinha. Vez ou outra a gente ouve: - Quiim! A mandioca ta sequinha? E o quiabo, ta bom? Eu acho tudo uma delícia.
A esposa do Quim fica no caixa. A balança não para: pesa tomate, pesa mexerica, pesa uva....Sempre que a gente pergunta se alguma fruta ta boa ela logo quer que a gente experimente e prontamente pega uma faca que fica uma num canto aqui, outra num canto lá e já vai descascando, não da nem pra rejeitar.
Numa dessas quartas-feiras eu estava apressada e escolhi rapidinho minhas frutas. Mas como nesse horário lá está sempre cheio, eu não podia esperar para pesar. O Quim vendo minha situação se ofereceu prontamente para levar as frutas na minha casa mais tarde. E assim foi....
Na verdade não foi, porque lá em casa não apareceu nem fruta, nem Quim, nem o menino que eu sempre vejo saindo de lá com uma bicicleta fazendo entrega.
O Mercado sempre fecha as vinte, vinte e uma horas. Na sexta-feira bem de noite fui lá, porque, com certeza, esqueceram da minha encomenda. O Quim estava lá sozinho e ele é do tipo que adora puxar um papo, render uma conversa, e eu já gosto também, então ficamos os dois lá batendo papo e escolhe uma coisinha aqui, outra lá, pesa, ensacola, meia dúzia de ovos: -Ô menina, tem do vermelho. – A não, Quim, eu gosto é do branco mesmo.
- Éee (coçando a cabeça), essa hora é hora das polícia passá aqui. É um tal de filá as coisa aqui no mercadin. Num guento esses guarda!, reclama.
- Ué, eles vêem aqui e pegam as coisas assim, sem mais nem menos?
- É, minha filha. Fazê o quê?
Nem cinco minutos, chega o policial. Farda engomada e cara lavada: - Ô Quim, arruma um copo d’água aí!
Sai correndo o pobre homem, vai debaixo de uma das bancas, tira um litro de cachaça transparente, enche um copo até no gargalo, corre lá atrás do balcão, pega um galão térmico de cinco litros de água e o policial já estava lá fora com aquela cara de político cumprimentado as velhinhas voltando da igreja.
O Quim estende o copo transbordando de cachaça para o guarda que, em serviço (não sei de quem) bebe numa tragada só e ainda pede mais (só que aí era água mesmo, do galão que o Quim ficou segurando pra despistar o pessoal da rua).
Viatura ligada e lá vai embora o carro da polícia que faz a ronda para nossa segurança.
- É Quim, eu vi, viu? Não segurei.
- Pois é minina, é que eu não tenho carteira de moto, sabe?
Da minha noite eu sei falar: fui dormir porque tinha curso no outro dia cedinho. Já a do guarda....não sei....mas deve ter sido mais animada que a minha.
* É claro que o apelido do Quim não é Quim, né gente...
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